segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Cobertura Desabafo Social: Espaços Urbanos Seguros foi tema debatido durante penúltimo dia do Curso em Salvador

No dia 18/09, a arquiteta e urbanista Paloma Padilha de Siqueira, mestre em meio ambiente e arquitetura bioclimática pela Escola Politécnica de Madrid conduziu aula sobre a temática de Espaços Urbanos Seguros durante Curso de Convivência e Segurança Cidadã realizado em Salvador-BA.


A importância da relação entre sociedade e meio ambiente na construção de espaços urbanos seguros foi um dos temas centrais abordados pela professora Paloma durante as aulas que conduziu para as duas turmas do Curso. "Uma cidade sustentável tem que ter identidade e sentimento de pertencimento por parte daqueles que a ocupam. É preciso oferecer uma fácil leitura da possibilidade de uso do espaço - um lugar que convide as pessoas. A cidade sustentável também deve possuir limites de acesso – bordas atrativas e vivas - iluminação adequada, limpeza, manutenção e conforto ambiental", destacou a arquiteta. 

As cidades seguras do Canadá, as chamadas "Safer Cities", foram apresentadas pela professora, como exemplos de boas práticas. Paloma destacou que são cidades que investiram não somente na segurança dos seus bairros como também no aumento da qualidade de vida das pessoas que moravam lá por meio de jornais comunitários, programas de trabalho para jovens, áreas de lazer, entre outros recurso que contribuíram para a redução de 30% da incidência de crimes nos cinco meses que se seguiram à implementação das ações em 1999. A professora também apresentou exemplos de ações desenvolvidas em cidades do Chile, a partir da utilização do CPTED - Prevenção de crimes através do Design Ambiental que contribui para diminuir os fatores de risco, a partir da realização de diagnósticos comunitários e atividades como oficinas de desenho e planejamento urbano.

"Estes exemplos mostram a importância da participação e corresponsabilização da sociedade na mudança da realidade atual urbana para a construção de uma cidade segura, sem medo e sem fragmentações", ressaltou Paloma. Para colocar em prática os conteúdos abordados durante a aula, a professora realizou uma atividade em uma praça pública de Salvador. Durante o exercício, os participantes puderam identificar os fatores de risco presentes naquele espaço, identificar os elementos arquitetônicos que deixavam o espaço seguro e refletir sobre a participação da comunidade no uso e manutenção do espaço. 


Texto: Camila Cidreira.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Cobertura Desabafo Social: Riccardo Cappi fala sobre Prevenção Social do Crime e das Violências durante Curso em Salvador

No dia 18/09 o Curso de Convivência e Segurança Cidadã, realizado em Salvador, contou com a presença do professor doutor em criminologia, Riccardo Cappi, que conduziu a aula sobre “Prevenção Social do Crime e das Violências”. Cappi iniciou a aula lançando a seguinte questão à turma: "o que é violência?". Para ele, é importante destacar que "violência é diferente de conflito e constitui uma opção de gestão do conflito, mas não se resume à ele". Em seguida, apresentou um quadro sobre os diferentes tipos de violência, entre elas a interpessoal, institucional e estrutural. Segundo o professor, infelizmente, hoje, as violências institucional e estrutural não são tratadas como crimes no direto penal por não serem consideradas violências. Diante disso, ressaltou o desafio de formular estratégias capazes de produzir maior segurança sem ter que recorrer à instituição judicial.

Após abordar os tipos de violência, Cappi explanou sobre a prevenção do crime e das violências, deixando claro que: “prevenção é um conjunto de medidas ou projetos para evitar um fato ou uma situação problemática”. Apontou, também, os diferentes atores da prevenção: órgãos de segurança pública, assim como outros setores do governo, organizações civis, empresas e comunidades. O professor também falou sobre as ações de prevenção e destacou que toda ação de prevenção se fundamenta numa teoria, num objetivo a ser seguido, portanto acaba valorizando alguns aspectos e desconsiderando outros. Ressaltou ainda a importância da prevenção do esgarçamento individual, ou seja, a implementação de medidas de fortalecimento de laços sociais visando a qualificação do tecido social e a prevenção da exclusão política por meio da fundação de conselhos, associações, e de ações de empreendedorismo e de protagonismo juvenil.

Texto: Camila Cidreira

Vídeo final do Curso de Convivência em Segurança Cidadã

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Cobertura Desabafo Social: "Os jovens são, talvez, os mais interessados em prevenir a violência e por isso, são grandes colaboradores do processo de mediação" - Pedro Strozenberg



O Desabafo Social no seu terceiro dia de cobertura do Curso de Convivência e Segurança Cidadã entrevistou Pedro Strozenberg, Coordenador do Instituto de Estudos da Religião (ISER), ONG carioca que atua no campo dos Direitos Humanos. Pedro foi o professor da aula Mediação de Conflitos, durante o Curso.
Confira a entrevista!

Desabafo Social: De que forma a juventude pode fazer mediação de conflitos para contribuir com a prevenção da violência?

Pedro: O que é preciso ter em conta em primeiro lugar é que não há uma juventude. Mas, diferentes juventudes. As diferentes juventudes participam com diferentes expressões. E utilizam para isso as novas linguagens. Essa juventude diversa é parte importante do processo de  transformação do conflito e da renovação da expectativas. Os jovens são, talvez, os mais interessados em prevenir a violência e por isso, são grandes colaboradores do processo de mediação.

Desabafo Social: Na mediação, os jovens atuam como uma das partes, mas talvez ainda mais invisível do que as outras partes. É isso?

Pedro: A juventude produz conflitos. Os conflitos são fundamentais para a mediação. A mediação não existiria se não fossem os conflitos. Os jovens produzem conflitos na perspectiva de mudanças e não necessariamente na perspectiva dos problemas. É um desafio para a sociedade brasileira compreender que é preciso olhar os conflitos da juventude como um caminho possível de reconhecimento, de direitos e de mudança social. Então eu acho que são duas coisas que se complementam nesse sentido, o desafio da construção de uma sociedade mais transparente, mais participativa, mais libertária e o desafio de reconhecer o papel político da juventude e reconhecer o conflito como instância a ser potencializada e ser valorizada na política.

Entrevista: Ana Paula Huoya e Marina Lima
Foto: Gilberto Silva

Cobertura Desabafo Social: Participação Social é tema de entrevista. Confira!



A professora Letícia Godinho, que conduziu a aula de Participação Social durante o Curso de Convivência e Segurança Cidadã da Região Nordeste conversou com a equipe de jovens do Desabafo Social. Letícia é Mestre e Doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e Bacharel em Direito pela mesma instituição e também é pesquisadora da Fundação João Pinheiro. Confira a entrevista!

Desabafo: Como os conflitos podem ajudar a juventude?

Leticia: Essa é uma fase da vida que a gente vive em conflito, não é? O primeiro passo é reconhecer esse momento da vida e pensar que o conflito não é algo necessariamente ruim. O conflito, em muitos momentos, pode impulsionar, ajudar na tomada de decisão. A grande questão é como a gente lida com esses conflitos, sejam os individuais, os interpessoais e os sociais. É preciso reconhecer que o conflito não é algo necessariamente ruim, mas que nos ajuda a viver a diferença, a diversidade.

Desabafo: Pode nos falar mais sobre diferença e desigualdade?

Leticia: Diferença não é sinônimo de desigualdade. Desigualdade é um conceito que tem muito a ver com a questão econômica. Quando a gente fala em diferença, estamos nos referindo a um conjunto de outras coisas ligadas às formas de pertencimento: se sou homem, se sou mulher, se sou do Sul ou do Sudoeste, ou do Nordeste, Centro Oeste ou do Norte. Se sou do campo ou da cidade, da periferia ou do centro. Ser diferente porque eu tenho uma cor diferente da sua, porque eu nasci um lugar diferente do seu, não significa que eu sou desigual ou que sou menos ou mais que você. 


Desabafo Social: Como se dá a relação de prevenção à violência nas periferias urbanas, que, em geral, são ambientes construídos sem planejamento?

Leticia: A gente precisa entender melhor o que é periferia. Na verdade, estamos falando de várias periferias hoje em dia. Você tem lugares que historicamente eram entendidos como periferia e começam a criar espaços interessantes próprios e com sua identidade própria. É importante valorizar essa periferia e entender que ali também é um lugar diverso que tem potencialidade e precisa ser reconhecido pela gestão pública. Espaço que tem na juventude um potencial enorme de criar laços naquela comunidade. 

Entrevista: Camila Sidreira e Irênio Junior

Foto: Gilberto Silva

Cobertura Desabafo Social: Redução de Fatores de Risco é temática debatida de forma dinâmica durante o curso

No dia 17/09 a antropóloga, professora da Universidade de Brasília (UNB), pesquisadora do instituto de estudos comparados em administração institucional de conflitos (INCT/InEAC), Haydée Caruso, conduziu uma aula sobre a redução dos fatores de risco durante o Curso de Convivência e Segurança Cidadã que está sendo realizado em Salvador”. A professora discutiu sobre a importância dos conflitos na construção da ordem pública democrática, enfatizando seu caráter divergente e diverso como motivador da dinâmica pública, sendo essa, um processo de socialização onde pessoas que possuem diferentes interesses convergentes ou não, fazem valer seus direitos através da união em prol de um objetivo em comum.

Seguindo este caminho, a professora demonstrou como os conflitos podem afetar ou ajudar os sujeitos no cotidiano a favor da construção de uma realidade melhor e destacou a questão da juventude. "Os jovens são os mais abalados pela criminalidade e violência, pois a sociedade tende a negar e abafar seus problemas ao invés de reconhecê-los e tomar uma atitude preventiva para evitá-los", destacou Haydée. Neste sentido, a professora apresentou duas ideias para a prevenção de conflitos: prevenção social e prevenção situacional. A primeira etapa da prevenção social seria responsável pela criação de projetos e programas do governo a nível nacional que fossem voltados exclusivamente para as causas conflituais – a professora destaca na palestra esse detalhe da exclusividade, pois hoje existem muitos programas, por exemplo, direcionados a cultura como escolas de futebol e cursos variados que são tidos como formas de prevenção a violência, sendo que os mesmos não trabalham diretamente a questão violência de fato.

A segunda etapa seria a criação de ações voltadas para aqueles que estão propensos à violência, ou seja, os que estão na fronteira entre o agir e o não agir violentamente, e a terceira etapa seria pensar a ressocialização e a reintegração dos que já cometeram alguma infração. A prevenção situacional se dirige para a redução dos fatores de risco que levam a violência aos ambientes sociais, como por exemplo, replanejamento e melhoria de espaços mal iluminados, de lugares onde já exista alguma atividade ilegal como prostituição, conjuntos habitacionais isolados ou degradados, entre outros.

Sem deixar o jovem de lado, a professora também apresentou um trecho da série “nota 10, segurança pública”, o qual mostrava a convivência entre jovens e policiais nas favelas do Rio de Janeiro, assim como também, do outro lado, apresentava jovens militares e o que eles almejavam na profissão. O que deixou claro que, apesar da relação conflituosa entre jovens e policiais ambos buscam o respeito e a confiança mútua para uma convivência harmônica. Para finalizar a palestra, a professora realizou uma atividade dinâmica em que os participantes fizeram um mapa social de uma cidade fictícia, a qual tinha que conter os lugares mais importantes da comunidade, os lugares de formação, de perigo e os fatores de risco que levaram a causa da criminalidade na cidade sem deixar de abordar os temas tratados anteriormente.

A partir do exercício, a professora destacou pontos importantes como a relação entre policia e sociedade e trouxe ao público novas formas de pensar a prevenção dos problemas, mostrando como podemos prevenir os fatores de risco se atitudes, às vezes, pequenas forem tomadas, isso tudo, sem esquecer os jovens e adolescentes que infelizmente são as maiores vítimas dos conflitos e da violência. 

Texto e fotos: Camila Cidreira


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